Karlovy Vary: conheça a cidade tcheca pelos olhos de Beethoven

por   Natalia Manczyk
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karlovy_vary, na Republica Tcheca, panoramica

Estive em Karlovy Vary em um passeio bate e volta de Praga durante o inverno, quando a cidade fica ainda mais bonita por conta do rio de água quente que corre entre as ruas nevadas. Mas, desta vez, resolvi fazer um texto diferente, com as informações da cidade contada por quem esteve lá mais vezes que eu, é muito mais famoso e importante: Beethoven.

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Karlovy Vary, 20 de setembro de 1812

Sou um velho senhor que compõe sinfonias, e embora tocar piano pareça uma atividade relaxante, visito Karlovy Vary, na República Tcheca, para descansar nas águas termais com poderes curativos que brotam de 12 fontes pela cidade. Dizem por aqui que eu ainda estarei conhecido nos próximos 300 anos ou mesmo 500 anos. Caso você esteja lendo esta minha carta no futuro, lá pelo ano 2020, e bem provavelmente não saberá quem sou, me chamo Ludwig von Beethoven. Escrevo no ano de 1812, em minha segunda vez nesta cidade a só 130 km de Praga, sentado em um banco, olhando o movimento de gente para lá e para cá no calçadão Stará Louka que segue ao longo do Rio Teplá.

De um lado, o pessoal mira os edifícios imponentes, planejados pelos competentes arquitetos vienenses, com pintura rosada, amarelada ou esverdeada, sempre em tons pastel. Do outro, as águas do rio que correm devagar, como se os bosques alaranjados nas montanhas ao fundo fizessem até a natureza amansar. A paisagem é tipicamente europeia, com a diferença de que o rio que corta Karlovy Vary corre com águas quentes. Durante o inverno, é um espetáculo. A neve cobre as calçadas e o vapor sai das águas lembrando-nos que essa cidade tem mesmo toques especiais.

kalovy Vary vista

Meu hotel de sempre fica localizado nessa que é a área mais famosa da cidade e deve ter sido planejado levando em consideração a vista privilegiada para o rio. Trata-se do Grandhotel Pupp, uma construção de mais de cem anos atrás, erguida em 1701, e tão imponente que mais parece um palácio. Conhecidos meus também costumam se hospedar no hotel quando vêm relaxar nas águas termais de Karlovy Vary: um grande amigo alemão, o escritor Johann Wolfgang von Goethe (ele prefere ser chamado simplesmente pelo sobrenome, Goethe), que já somou 13 visitas a Karlovy Vary, e o mestre Johann Sebastian Bach, que infelizmente morreu há alguns anos mas continua me inspirando.

Meus ouvidos já não têm o mesmo dom de antigamente, mas a vista capta o murmurinho formado pela gente sentada nas mesas ao ar livre do centro da cidade e pelos casais alegres ao descobrirem que qualquer curva leva a ruas charmosas, com imponentes edifícios de moradias e hotéis. Quem sabe em um futuro essas construções se tornem clássicas? É provável mesmo que essa arquitetura de Karlovy Vary atravesse gerações e continue sendo valorizada por séculos a fio.

O grande responsável por esta estância de termas foi o rei Carlos IV, que por volta de 1350 descobriu as águas quentes que nascem do Rio Teplá e decidiu construir na floresta um balneário, chamado de Balneário de Carlos, ou seja, Karlovy Vary. A descoberta foi bem por acaso. Ele estava caçando, o animal pulou pelo penhasco, e ao olhar para baixo, o rei ficou intrigado com a fumaça saindo do vale.

Karlovy Vary cavalos

Cada uma das 12 fontes espalhadas pela cidade é indicada para um tratamento específico, como problemas digestivos, de pele ou mesmo do metabolismo. A explicação para isso é que de cada fonte a água jorra a uma temperatura diferente e com uma quantidade diferente de dióxido de carbono. Geralmente, a temperatura gira em torno dos 40 ºC, mas o maior dos gêiseres, o chamado Vřídlo, expele água a uma temperatura de cerca de 73 °C, e a uma altura impressionante de 12 metros. Atrás, está a grandiosa Igreja de Santa Maria Madalena, erguida em 1736, quando este senhor aqui ainda nem era projeto.

E, em frente ao gêiser estão mais três fontes, com água a cerca de 50 ºC.  Ouvi dizer que daqui a alguns anos será construída uma colunata (um conjunto de colunas) sobre esse gêiser, a Market Colonnade, uma construção branca, que será feita por arquitetos vienenses em estilo suíço, e será inaugurada ainda neste século, em 1883. Não estarei vivo quando estiver pronta, mas aproveitem por mim. Aliás, também está sendo planejada uma colunata que promete ser a mais visitada de Karlovy Vary, a Mill Colonnade. A previsão é que seja inaugurada em 1881, formando um corredor de colunas que cobrem cinco fontes. Será uma maravilha.

mill colonnade in karlovy vary

A Mill Colonnade

Já para os banhos que prometem curar de tudo, é bom saber: não há banhos públicos. É preciso pagar uma hora de tratamento em um spa, se hospedar em hotéis com os banhos ou pagar por hora para usar a piscina de certos spas.

Todos, inclusive eu, contagiam-se de curiosidade para provar essa água milagrosa. É liberado beber, mas tem um certo gosto de enxofre. Para acabar com esse gosto na boca, a solução é um prazer: basta comer o Oplatly, um waflle doce que costuma ser vendido ao redor das fontes. Falando em doce, por aqui me delicio com os strudel – o folhado de maçã que costumo comer sempre na Alemanha e não consigo passar muito tempo sem ele. Para o almoço, em Karlovy Vary tenho o hábito de escolher o goulash, prato com carne, molho grosso temperado e o knedlík, pão cozido no vapor, servido em formato de rocambole, e adorado pelos tchecos (por mim também).

Para acompanhar, peço a cerveja 1795, lançada nesse ano na região da Bohemia, e com lúpulo de tanta qualidade que aposto que quando você estiver lendo esta carta ela ainda estará em produção e poderá ser provada. Outra das boas bebidas por aqui é a Becherovka, licor produzido desde 1805, com receita secreta, que mistura ervas exóticas e 38% de álcool. Não é porque sou compositor erudito que eu não possa aproveitar as boas bebidas da cidade de vez em quando.

Karlovy Vary me inspira. Enquanto olho o rio de águas quentes da varanda do Grandhotel Pupp, um carteiro toca uma melodia na trombeta para chamar a atenção dos moradores. E foi esta melodia que me levou a compor a Abertura em Dó Maior, sinfonia que apresentarei na Sala Tcheca do Hotel Pupp. Já toda a atmosfera radiante de Karlovy Vary me fez compor a Oitava Sinfonia, dia desses, aqui mesmo. Eis a minha obra com mais passagens alegres. Entenderam o motivo?

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Karlovy Vary: conheça a cidade tcheca pelos olhos de Beethoven
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Karlovy Vary está pertinho de Praga, é cheia de fontes termais e casas clássicas. Saiba o que conhecer em um bate e volta
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