Como é fazer safári na Tanzânia

por   Natalia Manczyk
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Girafas no Serengeti na Tanzania no nascer do Sol

Algumas experiências que vivi nos meus primeiros dias na Tanzânia para mostrar para vocês como é fazer safári na Tanzânia:

  • Este é um dos países mais pobres do mundo. Ver ao vivo a miséria que só escutamos falar me fez chorar por horas. Na capital não existem calçadas, as ruas ainda são com areia, as casas não têm pintura e muitas delas nem paredes.
  •  Tirei fotos do aeroporto, que na verdade é um saguão só, com balcões de madeira para o check in e jeito de sala dos anos de 1950. Por ter tirado fotos, quase fui presa. Um guarda confiscou meu celular e fui obrigada a apagar as fotos que tinha tirado no país.
  •  Peguei um avião de 12 lugares (sozinha) para o Serengeti e parei em 6 pontos do parque até chegar onde estou. Sabe quando você voa por horas e não tem sinal algum de civilização lá embaixo, só montanhas e árvores? Voei por 6 horas assim até pousar literalmente no meio do nada.
  • Centenas de gnus corriam na “pista de pouso” e tivemos que arremeter por causa disso. Agora rodeada de gnus, aprendi que eles morrem de medo de gente e só comem grama. 
  • Por enquanto, sou a única hóspede do hotel: um conjunto de tendas super chiques no meio do Serengeti (o lindo &Beyond). A cada manhã, os funcionários me perguntam o que eu quero ver: girafas, rinocerontes, hipopótamos, pássaros, guepardos…e é só eu responder que lá vamos nós encontrá-los. 
  • Para sair do quarto à noite, tenho que combinar um horário com o ranger, já que podem aparecer leões, hipopótamos e rinocerontes.
  • Aprendi a me abanar com leques feitos de chumaços de rabo de elefante.

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  • Dormi e acordei com o barulho de hipopótamos. Ao acordar, vi as pegadas de vários deles em volta da tenda.
  •  Passei uma hora assistindo a uns 80 hipopotamos juntos nadando, dormindo e brincando no rio.
  • Em um dia só vi 30 leões. Como um fantasma entrando no mundo deles, vi esses animais comendo gnus, segui-os até o rio (já que aprendi que ficam com sede depois de comerem) e assisti aos leões dormindo embaixo de árvores.
  • Me diverti vendo uma hiena brincando em uma poça de água. Ela rolava na água, pulava, e saía e entrava de novo só para brincar mais um pouco.
  • Tomei café da manhã em uma mesa cercada de gnus e fui instruída a não dar comida aos macacos que apareceram.
  • Vi 14 girafas passarem na minha frente durante o nascer do sol.
  • Era tempo de migração dos animais. Esperei por uma hora, diante de um grupo de 3.000 gnus, um deles dar o primeiro passo e atravessar o rio para migrarem. Segundos depois que o primeiro deles toma coragem, todos os outros o seguem. No rio, estão os grandes obstáculos: pedras que os fazem quebrar a perna e crocodilos que ficam os aguardando.
  • Na migração, assisti a uma cena inesquecível. Um filhote de gnu foi pego por um crocodilo. A mãe voltou para puxá-lo, mas quase foi levada também pelo animal. Ela hesitou e teve que virar as costas e continuar a jornada para a outra margem do rio. Enquanto todos os outros gnus corriam assim que alcançavam a margem, ela olhava para trás vendo o filhote ser puxado pelo crocodilo. Caminhava devagar e cabisbaixa e chegou a voltar  para ver mais uma vez o filhote. Quando ele estava quase afundando, ela olhou uma última vez para o filhote e foi caminhar  junto dos outros gnus, mas dando passos lentamente e olhando para o chão.
  • A diversão em uma das manhãs foi contar a quantidade de leões avistados sem perder a conta: “havia três bebendo água, 11 descansando embaixo da árvore, três comendo, uma andando solitária…
  • Vi um gnu ser comido vivo por quatro hienas. Ele veio correndo na minha direção para que eu o salvasse, mas claro que eu não podia fazer nada.

Veja mais:

Quando ir para a Tanzânia

Saiba sobre a migração dos animais na Tanzânia

  • Vi famílias e mais famílias de elefantes de todos os tamanhos, comendo folhas livremente na savana. Um bebê elefante andava ao lado de uma fêmea bem velha, enrugada e andando com dificuldade.
  • Encontrei ovos gigantes de avestruz espalhados pelo Serengeti.
  • A cada encontro com o nascimento e com a morte, com filhotes aprendendo a andar e com animais sendo atacados, ouço dos rangers: that`s the way life is, e essa foi a frase que mais marcou por ser tão verdadeira. 
  •  Resumindo: Estar nesse ambiente gigantesco onde quem manda são os animais é uma experiência inesquecível que  recomendo a todo mundo que ama os animais e a todo mundo que quer ver ao vivo a vida natural acontecer.
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